Qual a complexidade de adquirir uma residência na Itália?
Quão complicado é adquirir uma residência na Itália: a situação por região
O início de 2026 marcou um ponto histórico para o setor imobiliário residencial italiano. Pela primeira vez desde o início do monitoramento pelo portal Idealista, a procura por imóveis para compra aumentou em todas as 107 províncias do país, sem exceção. Contudo, o aumento na procura não resultou em transações mais rápidas. Pelo contrário, a redução na oferta e os prazos de venda mais longos estão gerando uma crescente pressão no mercado. Assim, adquirir uma casa está se tornando cada vez mais popular, porém também mais desafiador.
De acordo com o Idealista, o número médio de consultas por anúncio subiu de 1,22 para 1,5 (+22,5%). Ao mesmo tempo, a oferta disponível diminuiu de 2,6% para 2,5% (-4,9%), e o tempo médio de venda de um imóvel aumentou de 160 para 169 dias (+6,1%). Das 107 províncias, 87 viram uma redução na quantidade de imóveis disponíveis no mercado, enquanto 73 experimentaram um aumento no tempo necessário para concluir uma venda. Conforme Vincenzo De Tommaso, representante do departamento de pesquisa da Idealista, a elevada e generalizada procura não se traduz rapidamente em transações concretas. Isso se deve à discrepância estrutural entre a oferta e as necessidades dos compradores. Grande parte das residências disponíveis são apartamentos amplos, destinados a famílias numerosas e situados em regiões com pouca procura. Enquanto isso, os compradores buscam principalmente apartamentos com dois e três quartos em áreas bem desenvolvidas e com fácil acesso ao transporte. Nas cidades mais atrativas, a situação se complica ainda mais devido aos preços elevados e às hipotecas ainda dispendiosas, o que leva os compradores a demorarem mais para tomar decisões.
Situação por macro região
Noroeste
O maior aumento na procura foi registrado nessa região - 27,4%. No entanto, a oferta diminuiu 6,7% e os prazos de venda aumentaram 7,3%.
Nordeste
Essa região permanece como a mais líquida da Itália. O tempo médio de venda é de 141 dias, apesar de um aumento de 18,5% na procura. Isso sugere que o mercado já havia enfrentado escassez de oferta em períodos anteriores.
Itália Central
A região mantém a situação mais equilibrada. A procura aumentou 26,5%, porém o tempo médio de venda permaneceu praticamente inalterado (+0,7%). Isso é facilitado pelo maior nível de oferta do país - 3,81% do estoque de imóveis.
Sul da Itália
É nessa região que se observa a situação mais desafiadora. A oferta é a menor do país, a procura aumentou mais de um quarto e o tempo médio de venda subiu 17,2% em comparação ao ano anterior. O interesse dos compradores é alto, porém as transações estão sendo concluídas significativamente mais lentamente.
Ilhas
Sardenha e Sicília estão exibindo maior resiliência: apesar de um aumento significativo na procura, os prazos de venda aumentaram apenas 0,9%.
Principais Cidades
Bolonha
Atualmente, esse é o mercado imobiliário mais dinâmico da Itália. O número de imóveis disponíveis aumentou 22%, enquanto o tempo médio de venda diminuiu 31%, para apenas 50 dias. Entre as grandes cidades, é o único mercado que apresenta uma melhoria significativa.
Milão e Florença
Os primeiros indícios de desaceleração do mercado surgiram nessas cidades. A oferta está crescendo e a procura está diminuindo – um fenômeno raro para mercados tradicionalmente aquecidos. Em Milão, o número de consultas diminuiu 7% e o tempo médio de venda aumentou de 58 para 61 dias.
Turim, Bari e Catânia
Nessas cidades, a procura permanece alta (de 20% a 32%) e está se convertendo em transações reais. Os prazos de venda permanecem estáveis ou até diminuem.
Nápoles, Palermo, Gênova e Roma
Essas cidades estão classificadas como "tensão estagnada". Em Palermo, a procura teve um aumento recorde de 50,5%, porém os prazos de venda cresceram 30%. Nápoles registrou o maior aumento nos prazos de venda - 36,5%. Há interesse por parte dos compradores, mas as transações estão sendo concluídas consideravelmente mais devagar. Roma apresenta uma situação semelhante, ainda que em menor escala.
Registros entre províncias e centros administrativos
Nas províncias da costa nordeste do Adriático - Trieste, Udine e Gorizia - a oferta está diminuindo particularmente rápido: de 15 a 17% ao ano.
Entre os centros administrativos, a situação se destaca mais em Chieti, onde o número de imóveis no mercado reduziu cerca de um terço, enquanto o número de consultas mais que dobrou (+105,3%). A escassez de oferta está aumentando a competição entre os compradores.
O maior aumento nos prazos de venda é observado em Potenza (+72%), Barletta e Cosenza (quase +70%). Em contrapartida, Enna reduziu sua duração de vendas pela metade e Carbonia em cerca de 40%.
Apenas em cinco centros administrativos do país a procura diminuiu: Frosinone, Cremona, Milão, Florença e Isernia. A presença de Milão e Florença nessa lista é especialmente notável. Especialistas atribuem isso aos preços elevados e à discrepância entre algumas das ofertas e as expectativas dos compradores.
Metodologia da Pesquisa
A pesquisa abrange o mercado imobiliário residencial no primeiro trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período de 2025. Os dados foram extraídos do banco de dados do portal Idealista e incluem 107 províncias e 110 centros administrativos.
Indicadores-chave:
- Relatividade do Estoque — a proporção de anúncios ativos em relação ao estoque total de imóveis.
- Leads Médios — o número de contatos recebidos por um anúncio.
- Tempo no Mercado (TOM) — o número médio de dias desde a publicação de um anúncio até sua remoção.







